Viagem de Inverno

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ROTEIRO:

 

MOSCOU – EKATERIMBURGO – NOVOSIBIRSK – VLADIVOSTOK – MOSCOU

Quando fizemos a nossa primeira viagem à Rússia, em julho de 2010, portanto verão no hemisfério norte,tínhamos o sonho de conhecer a Trasiberiana e, logicamente a Sibéria.

Fomos orientados por vários viajantes de várias parte do mundo e também por algunsrussos, para que fizéssemos a viagem exatamente no verão, pois o inverno siberiano seria insuportável para nós dos trópicos, ou seja, temperaturas abaixo dos 30ºC.

Foi uma viagem realmente fascinante, na qual todos puderam, e podem, acompanhar neste blog,uma vez que conhecemos Moscou, São Petersburgo, parte da Sibéria e o Lago Baical,  tudo descoberto do gelo e com magníficas paisagens colorias,  uma vez que a Rússia é  um país cujo povo adora flores e as cultivam muito bem, além do esplêndido verde das florestas siberianas,  assim como o lindíssimo jardim do Kremlin.

Mas, com todas as paisagens e maravilhas que a Rússia nos apresentou naquela viagem, sentimos que alguma coisa nos faltava, ou seja, ver a verdadeira Rússia da neve, do frio intenso, das pessoas comsobretudo, botas e chapcas (aqueles bonés rodeados de pelos), soldados e guardas de trânsito brancos da neve por todas as cidades, os trilhos dos trens repletos de neve, enfim, tudo embaixo da neve.

PLANEJANDO ANOVA VIAGEM

Portanto, para completar o nosso sonho, planejamos uma nova viagem em PLENO INVERNO.

Programei a viagem, estudei o idioma russo (ruskiyaziki), abasteci-me de informações, enchi as mochilas e, claro, comprei muita roupa pesada e parti.  SOMENTE EU E MINHA ESPOSA.

Dois (zéguedés)de Joinville, estado de Santa Catarina, falando um  portuslavo (entendível), no meio da imensidão da Rússia, na imensidão da neve siberiana.

A seguir, faço umrelato desta magnífica viagem:

Compramos as passagens os trens, Expresso Transiberiano,antes de sair do Brasil.  Enviamos o dinheiro para uma colega russa, Svetlana,  a qual é professora de inglês na companhia de trens, e então ela, gentilmente, nos comprou todos os trechos direto no guichê da  empresa. Isto nos deu segurança quanto as confirmações dos dias de embarques, bem como o custo que foi bem módico.

Os translados aéreos domésticos compramos pela Decolar e os hotéis reservamos através do Booking.

O traslado aéreo internacional, compramos pela internet, direto no site da Ibéria.

Tudo, mas tudo mesmo, foi perfeito, vôos nos horários, trens nos horários, hotéis agradáveis e confortáveis.

INÍCIO DA VIAGEM

Embarcamos no Brasil, aeroporto de Cumbica, no dia 16 de fevereiro de 2013, fizemos escala em Madrid. Sem demora na escala, reembarcamos no Airbus da Ibéria, com destino a Moscou.

A viagem de cinco horas de Madrid a Moscou foi muito boa. Ao meu lado sentou-se um russo de Kazan,que havia ido ver um jogo do Barcelona e feito uma festa na noite anterior. Cheirava vodka e conversava bastante.

Neste momento já pude testar as aulas que tive com a professora Olga pelo skipe. Fui aprovado com louvor. O russo, mesmo bêbado, me entendia bem e eu conseguia entender ele, mesmo forrado de vodka.

MOSCOU

Enfim, às 19:30hs, horário de Moscou, o trem de pouso do Airbus tocou o solo branco de neve do aeroportoDomodedovo. EMOÇÃO. Estamos na Rússia gelada. E põe gelada nisso.

Mas uma vez tive que colocar a prova as minhas aulas de russo. Uma das minhas malas não estava na esteira. Pergunte (maiatchornitchemadannitut) minha mala preta não está aqui. Imediatamente me acompanharam até o departamento competente e lá estava a minha mala.

Bem, já com todas as nossas malas e mochilas em mãos, vimos de longe, pelo vidro, o nossoamigo Michail (Micha) nos esperando com uma mochila e uma filmadora, narrando cada passo nosso.

Ele prevendo que éramos marinheiros de primeira viagem, encheu sua mochila de roupas russas para o frio, pois sabia que,por mais que nos precavêssemos, não tínhamos a verdadeira noção do quanto poderia doer o frio russo sem roupas adequadas. Na mochila tinha meias, gorros, casacos, tudo feito na Rússia para suportar frio polar.

Querido e Micha, foi um anjo. Aquelas roupas nos ajudaram em toda a viagem pela Rússia. Por mais que nos avisaram, pecamos, ou seja, as roupas pesadas compradas aqui no Brasil não servem para um inverno russo. TEM QUE SER DE LÃ PURA. Não adianta roupas sintéticas. Não esquenta o suficiente.

Colocamos a cara pra fora do aeroporto e já sentimos a ponta do nariz querer doer, tampamos imediatamente e deixamos somente uma parte do olho de fora. E dale neve, neve, neve. Isto às 20:00hs. As avenidas, calçadas, praças, tudo, tudo, um monte de neve.

Imagina e exclamação.   AHHHH!    ESTMOS NA VERDADEIRA RÚSSIA QUE SEMPRE SONHAMOS!.

Entramos no Hotel Smailova, e que hotel,que quase não acreditamos ser aquele mesmo. Com tanta beleza, tanta pompa, tanta imponência e por tão pouco preço.

Fizemos o check-in e já nos sentimos em casa. Os recepcionistas dispensaram uma gentil e calorosa recepção no momento em que conversamos no idioma deles.

Além de um bom apartamento, bom restaurante e tudoque um hotel pode oferecer de bom, a grande e maravilhosa surpresa foi no café da manhã: saborosíssimo e embalado ao som de uma  harpa.

No período soviético,o governo  construiu este complexo hoteleiro para receber os estrangeiros. Fica longe do aeroporto e um pouco retirado do centro, mas vale a pena. Tem um centro comercial ao redor,um kremlin, lindos jardins, feiras artesanal e estação de metrô. Vale a pena.

No dia seguinte visitamos o Anelde Ouro de Moscou, cidadezinhas que rodeiam Moscou, onde situa-se várias (datchas) pequenas chácaras, onde os russos de classe média alta passam os verões e finas de semana. Também nestas cidadezinhas há vários templos ortodoxos, todas as pessoas vivem como sempre viveram os russos mais antigos, enfim, é como dizem os russos: para conhecer a verdadeira Rússiadeverá conhecer estas cidades. TUDO COBERTO DE NEVE.

VIAGEM NO EXPRESSO DE MOSCOU A EKATERIMBURGO

A noite fomos para a estação ferroviária para embarcar no Expresso Transiberianopara cumprir a primeira etapa da viagem: MOSCOU/EKATERIMBURGO, nos Urais.

Não antes sem comprar um chip para utilizarmos o nosso celular em toda a Rússia, mesmo na longínqua Sibéria, nas fronteiras com a Mongólia e China.

Cabe uma observação aqui: Num raio de uns 5m de cada estação, ou estaçãozinha , que são várias,  em toda a Sibéria, tínhamos acesso à internet.

Ao sairmos da sala de embarque, com boa calefação, subimos e descemos escadas já sentindo o frio que nos esperava à margem da ferrovia onde nos esperava o trem e a neve.

Não deu outra! Arrastávamos as malas na neve fofa até que o agente olhou o nosso bilhete e autorizou o embarque no vagão. O nosso amigo Micha nos auxiliou nestes momentos, até acondicionarmos as malas embaixo de nossas camas, num compartimento classe A, com muito conforto. Ahhh, enfim quentinho, 23ºC lá dentro. Demos adeus ao Micha e ficamos lá dentro olhando a movimentação ao lado de fora, onde muitos russos corriam para lá e para cá no meio da neve até que todos embarcaram em todos os vagões.

Descrevo como é o vagão cupê, onde estávamos,ou seja, quartos com duas camas de solteiro e também mostrarei, nas fotos que estão neste blog, como eles são realmente por dentro.

O comboio é composto por vagões somente de passageiros. Não há vagões com carga, com correios ou outro tipo de composição.

Há vagõescom compartimentos coletivos,  com compartimentos para quatro passageiros e também para dois passageiros, que foi o nosso caso. Estes com mais de dois passageiros, são todos beliches.

Há muitos viajantes que preferem o coletivo, pois desta forma poderão fazer a viagem convivendo com os russos e trocando experiências, conhecendo mais as culturas, jogando um baralhinho, enfim, acho que pode ser uma boa opção.

Optei por viajar num cupê para duas pessoas devido a minha esposa não falar e não entender o russo e nem outro idioma que não seja o português. Desta forma ela ficaria olhando para um lado e para o outro sem entender nada e certamente redundaria num stress .

Tem uma mesinha, televisão, guarda roupas com cabides, maleiros superior e também embaixo das camas, além de pondo de energia 110 e 220.

Roupa de cama muito limpas e cheirosas. Trocadas de vez em quando ao longo da viagem.

É igual a um hotel. Todas as manhãs as (provinitsas) as moças que cuidam de cada vagão, entram, se você permitir, higienizam arrumam as camas, perguntam se você quer que troca ou não as roupas de cama e deixam tudo limpo.

No final ou início de cada vagão, tem o posto de trabalho das (provinitsas), igual ao compartimento que há em um avião. Lá tem água quente,bolachas, balas, mel, chá, café e outras coisinhas que você pode necessitar. Claro, somente a água é de graça.

A tualetefica também na extremidade de cada vagão. Há um vagão onde fica os banheiros com chuveiros de águas super aquecidas e bem amplos. Você paga uma taxa e curte um bom banho.

O vagão restaurante é excepcional, com cardápio variado, boa culinária e boas bebidas. Os preços são módicos. Você pode também ir jogando um baralhinhoou conversando com os amigos que já conquistou, e ir bebiricando um drink, apreciando as paisagens brancas e geladas, por e nascer do sol, etc.

Você veja o por e nascer do sol quase sempre, devido ao fuso horário, que são vários. Você sai de uma hora de fuso e chega até dose horas no final da rota. Portanto, muitas vezes você dorme de dia e fica acordado a noite e assim por diante. Facilmente troca-se o dia pela noite sem se perceber. Fora do trem, em qualquer cidade é uma determinada hora e dentro do trem sempre é outra hora, ou seja,o trem viaja pelo horário de Moscou. Chega e parte das estações sempre obedecendo o horário de Moscou, sem atrasar meio minuto.

Antes do trem dar a partida, ouvimos o nosso vagão até dar uma pequena balançada e um barulho: tum, tum, tum…. no assoalho. Eram quatro guardas da rede ferroviária,que de tão altos, curvavam-se para não bater com a cabeça no teto e, de tão largo que eram, andavam de lado no corredor estreito do vagão. Vestidos com fardas pretas, armas pesadas, gorros pretos e olhar firme para cada passageiro, entravam em cada vagão, corriam os olhos e seguiam para outros vagões.

Ao mesmo tempo que nos deram um susto, nos trouxeram um alívio,  pois a (provinitsa) nos falou que é procedimento padrão para nos dar total segurança ao longo da viagem, uma vez que eles também viajam de trecho em trecho, se revezando com outros efetivos.

Partiu o trem, dormimos, acordamos, dormimos acordamos, apreciamos as paisagens pela janelinha, líamos, ouvíamos músicas, conversávamos com outros passageiros, e assim por diante.

Este percurso de Moscou até Ekaterimburgo, nos Urais, foi de 1668 km. Viajamos a primeira noite, um dia inteiro e chegamos na outra madrugada, às 03:00 Hs, horário local.

 

EKATERIMBURGO

Na madrugada, ao descermos na estação gelada, pisando na neve fofa e muito vento, avistamos um casal sorridente, alegres correndo ao nosso encontro. Ficamos emocionados.

Era o nosso casal de amigos Andrei e Ludmila. Aquela hora da madrugada nos esperando na estação.

Conhecemos o Andrei na nossa primeira viagem à Rússia, pois ele trabalhava no hotel onde nos hospedamos na época e também foi ele o enviado pelo hotel para nos apanhar no aeroporto naquela viagem.

O Andrei se esforçava para pronunciar algumas palavras em português, andava com um minidicionário na mão e se virava. O meu russo também ajudou a nos relacionarmos bem em toda a estada na cidade naquele dia.

Querido casal! Mais uma vez, ao lerem este blog, deixamos aqui para todos lerem o nosso manifesto de imensa gratidão e carinho que temos por vocês. MUITO OBRIGADO MILHÕES DE VEZES.

Seguimos para o hotel, que fica bem próximo da estação, fizemos o check-in e demos boa noite ao querido casal. No check-in houve dúvidas da recepcionista, que vale a pena relatar aqui,para que algum viajante não se embarace neste momento. Esta dúvida dela, surgiu em todos os hotéis que nos hospedamos na Sibéria.

A dúvida é quanto ao visto de entrada na Rússia. O acordo de livre acesso de brasileiros na Rússia e russos no Brasil, foi assinado pelos chanceleres em julho de 2010 e para os russos, ainda é muito recente e, como a Rússia é muito grande e também o sistema de comunicação entre os órgãos federais, para alguns assuntos,não está tão bem difundido na Sibéria, como em outras regiões,  ela nos pediu o visto.

Falei em russo para ela que temos este acordo, ela me olhou manifestando dúvida então mostrei o acordo escrito em russo e assinado pelos embaixadores russo e brasileiro e então ela exclamou: ahhhh, que legal, bem vindo a Rússia (dabrôpajálavat v rassía).

Portanto, este acordo você pode ver neste blog e imprimi-lo para apresentar a qualquer desavisado. Este desavisado pode ser um recepcionista de hotel, um agente ferroviário, um guarda no aeroporto, um guarda na rua, etc.

Pela manhã, o casalde amigos Andrei e Ludi, nos apanharam no hotel, por volta das 10:00 hs e fomos passear na cidade. Já havíamos passeado em Ekaterimburgo na outra viagem nossa, como vocês podem ver na nossa viagem de verão, porém no inverno há umas imagens e locais muito legais para serem visitadas.

Uma delas é a cidade de gelo que é construída em novembro e fica até derreter no início da primavera.  Há réplicas de vários monumentos pelo mundo afora, como por exemplo a Torre Eifel, estátuas de líderes mundiais, com destaque para a de Lênin, que é a maior de todas.

Também foi recém inaugurado o maior edifício entre os Urais e a Sibéria, sendo o terraço reservado para os visitantes conhecerem Ekaterimburgo de cima, em 360º.

Lá de cima avista-se o maior rio da região, totalmente branquinho de gelo e os carros andando por cima. No verão é plenamente navegável em alguns trechos.

No almoço, uma surpresa. O dono do restaurante veio me cumprimentar com uma bandeirinha do Brasil. Não falava uma palavra em português mas gosta muito do Brasil.

Foi no almoço que o Andrei e a Ludimila nos deram mais uma demonstração de carinho e boas vindas. Era uma segunda-feira e eles nos disseram que solicitaram folga no trabalho aquele dia inteiro porque iriam receber um casal de brasileiros. Vejam tamanho carinho. OBRIGADO.

Voltamos para o hotel a tardinha, aproveitamos para passar no supermercado e comprar uns produtos que iríamos utilizar no trem, como higiene, bolachas, miojo, refri, frutas entre outros.

O trem partiria na madrugada seguinte. As 03:00hs. Lá estava novamente o Andrei, encapuzado para nos levar até a estação. Demos um caloroso adeus e o trem não demorou para partir.

Em cada trecho, tudo é meio parecido, as paisagens, as estações intermediárias, a floresta siberiana nevada, nascer e por do sol com a neve laranja e avermelhada no horizonte e assim por diante.

NOVOSIBIRSK

Havíamos viajado 1525 km entre Ekaterimburgo e Novosibirsk, saindo numa madrugada e chegando na outra. Geladérrima. Descemos e subimos as escadarias da estação, debaixo de muita neve, arrastando as malas nos degraus aos trancos e barrancos.

O nosso hotel ficava no outro lado da praça da estação. Dava para avistar ele, porém deveríamos atravessar duas avenidas, uma de cada lado da praça, além de toda a praça, cheia de neve e muito vento. Avistamos o termômetro público que mostrava: -19ºC. Doía os olhos. A única parte do corpo que ficava nú ao tempo.

Não suportamos ir a pé, mesmo pertinho, pegamos um taxi (Lada)que estava alí solitário naquela fria madrugada. Pagamos RUB$ 300,00, mais ou menos uns R$ 20,00 e tudo certo.

No hotel a mesma dúvida do recepcionista de Ekaterimburgo quanto ao visto. Procedemos da mesma forma que a anterior etudo bem.

Fizemos a amizade com um brasileiro, da Paraíba,que reside em Novosibisk  há anos. O Tibério. Antes de viajar, descobri ele num blog e a partir de então, nos comunicamos sempre.

Ele foi nos visitar no hotel e, carinhosamente, nos recepcionou, passeou conosco em vários pontos da cidade, num dia lindo de sol.

Olha amigos! Que linda a cidade de Novosibirsk, que significa NOVA SIBÉRIA, em russo                      (novisibir) . Vale a pena visitar. Não a havia visitado em minha viagem de verão por falta de tempo, mas deixei para um dia ir lá e assim o fiz. Lugar de pessoas inteligentes, eruditas, lindas, agradáveis, intelectuais e vai por aí afora.

Lindas praças, teatros, monumentos, avenidas, universidades, etc. Aliás, é em Novosibirsk que a Rússia tem amaior densidade demográfica de cientistas em seu território. Nas cercanias da cidade, existe a Cidade dos Cientistas, que é chamado o local onde estão renomadas universidades russas no campo tecnológico. Uma das explicações para a existência deste local, é a segurança que a Rússia priorizou para ficar longe do acesso de inimigos porterra e mar.

Lá também tem a cidade do gelo, assim como Ekaterimburgo porém, esta cidadela em Novosibirsk tem um parque de diversão todo edificado no gelo, com pistas de patinação, esquibunda, casinhas siberianas feitas de gelo, etc. Vale a pena passar uma tarde ensolarada lá.

Também a vista do grande rio que corta a cidade, totalmente congelado.

Após os passeios, nos despedimos do nosso QUERIDO AMIGO TIBÉRIO.

TIBÉRIO, A VOCÊ TAMBÉM DEIXAMOS AQUI OS NOSSOS SINCEROS AGRADECIMENTOS PELA AMÁVEL RECEPÇÃO. UM GRANDE ABRAÇO AMIGO.

Nos recolhemos no hotel para descansar e nos prepararmos para sairmos na próxima madrugada, às 01:00 hs., horário local, e continuar a nossa viagem, até o fim do território russo,

VLADIVOSTOK.

Pagamos uns trocados para o vigia do hotel nos ajudar a levar as malas no outro lado da praça, onde fica a estação e lá fomos nós, com um frio lá fora de -18ºC, às 23:00 Hs. O trem partiria às 01:00hs.

A estação de trem de Novosibirsk é muito requintada, com lindos lustres, antigos e bem cuidado relógios enormes na parede, enfim, deixa inveja para muitos aeroportos brasileiros.

Enfim,fomos para a margem dos trilhos na hora certa,  nos acomodamos em nosso  compartimento cupê, muitobem arrumado e partimos para cumprir os últimos 6.600 km de nosso roteiro, ou seja, de Novosibirsk até Vladivostok.

Foram5 noites e 4 dias dentro do trem, mas confesso a vocês que em nenhum momento foi monótono. Sempre tínhamos algo para fazer, para ler, para meditar, para ouvir músicas, para conversar com outros viajantes, para curtir o vagão restaurante, curtir o visual e assim por diante.

Ao você, leitor, assistir os filmetes que tem neste blog, verá e sentirá, num dos vídeos, o que sentíamos durante todos os percursos. Filmei e narrei o que veio de dentro do meu coração, toda a emoção que a viagem estava nos proporcionando e tenho a certeza que você, se tem o sonho de um dia fazer esta viagem, sentirá a mesma sensação que nós sentimos e, certamente narrará o mesmo que narrei.

Quando atinge-se a região mais a Leste da Rússia, mas que fica ao Norte e Nordeste da China, as paisagens já não são tão interessantes, uma região aparentemente mais pobre do ponto de vista da arquitetura, do tipo de terreno, avista-se edificações abandonadas, enfim, a janela deixa de ser um dos pontos interessantes do trem. Porém quando atinge-se esta região, já é final de tarde e viaja-se a noite inteira por lá até chegar ao destino.

A previsão de chegada a Vladivostok era às06:17 hs,  e então não dormimos praticamente nada naquela noite, pois a ansiedade tomou conta de nós. Quando eram 04:00hs, mais ou menos começamos a arrumar as malas, vestir as roupas para nos preparar para a saída. Loucura esta ansiedade.

Deixei de comentar antes para vocês, mas as nossas roupas sempre demoravam para vesti-las e tirá-las, pois nos vestíamos da seguinte forma:

– bota ante derrapante, impermeável e revestida com lã de carneiro.

– três meias (duas pesadas e uma leve).

– Três calças (uma de lã, uma de um tecido especial para montanhas e a externa impermeável)

– Duas luvas (uma de lã leve por baixo e outra impermeável por fora)

– Duas a três tocas, dependendo da intensidade da neve e ventos.

– Cachecóis cobrindo pescoço, nuca boca e nariz. (só se tira quando se está em frente a um guarda ou policial, para que ele poça ver todo o teu rosto).

Este é o traje básico para bater pernas no dia a dia. Pode-se ainda comprar em Moscou, ao chegar, um sobre tudo, um gorro, etc., enfim, dar uma incrementada para dar (um tapa no visual) e ficar um pouco mais chique e não demonstrar, de vez em quando,que é um aventureiro no meio da multidão.

Muito bem, assim saímos de dentro do trem perto das sete da manhã, com muito frio, muita neve, temperatura -15ºC. Estávamos há dias com uma temperatura agradável dentro do trem, em torno de uns +23ºC e, de repenteum choque deste.

Saímos fora, pegamos um taxi para ir ao hotel, bem próximo da estação, a recepcionista olhou para mim assustada, mais ou menos assim (e agora o que este cara fala?) e perguntou: duyouspeackenglish? Du sprechdoitlan? Parla italian? E assim por diante.

Falei para ela, (Ia nigavaritpaangliski, nigavaritpaitalianski, no ia gararit e panimaioparuskiiasiki, nimnoga, no budietepanimaite), ou seja, falei: eu não falo inglês e não falo italiano, mas eu falo e entendo o idioma russo, não muito, mas você entenderá.

Ela exclamou sorrindo! Ahhhh! Que alegria e satisfação receber um sul americano que fala o nosso idioma. Disse ela: UM MUITO OBRIGADO e seja muito, mas muito bem vindo mesmo.

Neste momento vi o quanto foi, e está sendo, importante falar o idioma do país para onde se vai visitar. Além de ser uma manifestação de consideração e gosto por àquela Nação,você sente-se em casa.

Feito o check-in, mesmas dúvidas quanto ao visto, mas já rapidamente tirado a dúvida, depoisde praticamente 110 horas dentro do trem, um apartamento confortável para um bom sono.

Mas, como todos os mortais, a ansiedade despertou o nosso sono porque queríamos conhecer e curtir a cidade de um destino tão famoso, tão sonhado, tão planejado, enfim, tínhamos que andar pelas ruas de VLADIVOSTOK.  O nome da cidade deriva de: VLADI (forte) Vastok (leste), fortaleza do leste.

Nos encapuzamos, conforme descrito anteriormente, antes do almoço mesmo, descemos o morro, a cidade é toda cheia de morro, para quem conhece Caxias do Sul, ou Belo Horizonte, a topografia é igual.

Fomos dar uma volta no centro comercial da estação, nas lojas de rua, compramosumas quinquilharias para não encher as malas e voltamos para o hotel escorregando no gelo nas subidas e descidas de morros, com chuva e MUITO FRIO E VENTO.

Almoçamos no hotel, descansamos um pouco e fomos dar uma volta em toda a cidade. Para este passeio contratamos um taxi full, e lá fomos. O motorista era meio guia turístico, nos dava algumas explicações, apesar de termos já lido o máximo possível sobre o que visitar e o que significava cada ponto que íamos.

Na verdade Vladivostok não é e nunca foi uma cidade turística, com vários atrativos, aliás, quase nenhum ponto turístico. Vladivostok é um nome lendário, umfim de linha para muitos aventureiros, uma cidade que até o início dos anos noventa, nenhum estrangeiro podia visitar e, não muito distante daquela década, russos de outras regiões também não podiam visitar, pois considerava-se uma cidade estratégica do ponto de vista da defesa.

Naquela região os russos travaram várias batalhas, inclusive a guerra com o Japão, na qual foram vitoriosos.

No porto de Vladivostok há também vários monumentos em homenagem aos veteranos russostombados da Segunda Grande Guerra Mundial, na qual também foram vitoriosos juntamente com os Aliados. Nesta Guerra, os russos perderam em torno de quinze milhões de civis e onze milhões de militares.

Portanto há vários equipamentosutilizados nas guerras para a serem visitados, entre tanques e submarinos.

A partir do píer do porto, com um binóculo você consegue avistar o mar do Japão.

O povo desta região é bem politizado, alias, notei que emtoda a Sibéria o povo é  bem politizado, porém eles, veladamente, rivalizam com Moscou, pois ainda sentem um saudosismo do período soviético.

Para se ter uma noção, os deputados da Duma (câmara baixa do parlamento), eleitos pelo partido comunista, a maioria são além dos Urais. Mas respeitam muito as autoridades de todos os partidos, as leis vigentes no País e convivem harmonicamente.

A economia de Vladivostok está muito ligada a China. Toda a Rússia tem uma estreita relação comercial e militar com a China mas a cidade, pela proximidade, potencializa esta relação.

Bem, depois de visitar a cidade, não precisa de mais de um dia para isto, fomos descansar, jantar e dormir, pois cedinho deveríamos ir para o aeroporto.

Marcamos com o taxista para nos pegar às 07:00hs no hotel, pois nosso check-in  seria às 09:00 hs, com partida às 11:00 hs. Fizemos o check-out, olhamos para a porta do hotel e, lá estava o taxi, um carro coberto de neve até a altura do vidro da porta, com o motor ligado nos aguardando. Lá de dentro do hotel já sentimos o que nos esperava lá fora. MUUIIIITA NEVE.

Chegamos no aeroporto debaixo de muita neve. Fizemos o check-in mais cedo para dar uma boa passeada no aeroporto, comprar alguma coisinha e ficar olhando as aterrisagens e decolagens das aeronaves no meio de tanta neve. É um espetáculo a parte. Todos os vôos chegam e partem exatamente no horário, debaixo de toda aquela neve. São aquecidos com jato d’água por fora, recolhe-se as neves na pista com máquinas gigantescas, joga-se sal na pista e vai por aí afora.

O nosso vôo não foi diferente. Não atrasou. Era um jato da Sibéria Air (S7). Uns aviões totalmente verde, muitos visto em várias regiões da Europa. Um atendimento a bordo digno dos áureos tempos da Varig, com boa alimentação a bordo, comissárias muito bem trajadas, bem maquiadas, um sorriso que não parecia somente (sorriso de aeromoça), mas sim uma grande simpatia e atenção aos passageiros.

Não há vôos diários de Vladivostok para Moscou e, quanto tem, o preço da passagem não é interessante. Portanto faz-se os vôos com escala em Novosibirsk, com várias saídas diárias.

A distância até Moscou é praticamente intercontinental, ou seja, quase 10.000 Km. Com uma pequena parada em Irkutsk, sem trocar de aeronave, vai-se até Novosibirsk onde permanece-se por umas quatro horas no aeroporto e, finalmente,  destina-se a Moscou.

Um detalhe a bordo, é que não utiliza-se praticamente os compartimentos de bordo para malas ou pacotes. Tudo é utilizado com casacos, gorros, enfim, as tantas roupas de frio que carrega-se junto. Quando o avião para e autoriza-se soltar os cintos,todos começam a se vestir novamente para enfrentar o frio de menos quinze graus no pátio do aeroporto, uma vez que, em várias situações, o translado entre a aeronave e o saguão é feito de ônibus e não dá para suportar um minuto de frio intenso sem se agasalhar bem.

MOSCOU

Ao descer no aeroportoDomodedovo, retornando de uma longa aventura pela Sibéria, novamente encontramos nosso amigo Micha.

Rumamos ao hotel, o mesmo que ficamos quando havíamos chegado na Rússia, o Ismailova.

Na manhã seguinte, um sábado, fomos dar uma volta em Moscou, na Arbat, no Kremlin, enfim, já havíamos passeado por lá no verão, mas queríamos ver o Kremlin e toda a Praça Vermelha coberta de neve e comprar alguma coisinha. Sempre compramos coisinhas, para trazer bastante coisa, não deixar ninguém na mão, mas não tendo problemas com bagagens.

Nas lojas que passávamos os balconistas e alguns proprietários de lojas nos agradeciam por virmos de tão longe e falar o idioma deles.

Foi neste dia que me deparei com a máfia. Já haviam me alertado paraa MÁFIA DO TAXI, mas não havia me ligado.

Para ir do Hotel Ismailova até o centro,contratei um taxi da frota que trabalha sempre para o hotel. Ocorre que, ao chegar no centro, liberei o taxi e fiquei a pé. O motorista ainda havia me perguntado: mesmo? Você vai ficar sem taxi para voltar? Eu disse: sim, pois iríamos demorar bastante. Não deveria ter feito isto. Mesmo sabendo que na Rússia o taxi não é utilizado igual outros países, uma vez que é algo que surgiu nas últimas duas décadas, portanto é muito escasso.

Aí surgiu a MÁFIA DO TAXI.  São carros chiques com muito conforto, dirigido por pessoas que já denotam em suas faces que não têm cara de bons amigos.

Você entra neste carro, eles fazem um preço e, no destino te esfolam. Cobram o absurdo e, se você não pagar, te ameaçam. Para vocês terem uma ideia, para nos levar da Praça Vermelha até a Arbat, ele nos cobrou RUB$ 7.000,00, sete mil rublos, uma bagatela de R$ 50000. Fiquei furioso, mas foi dois trabalhos. Ficar furioso e amansar em seguida, pois não havia saída. Coisa pesada. Quando estávamos andando no carro, já vi que tinha coisa errada e que estávamos diante da máfia. N U N C AM A I S.

Bem, após comprarmos na Arbat e curtir a esfola que o motorista nos deu, fomos para a rua garimpar outro taxi. Aí sim, pegamos um carro módico com um senhor aparentando uns 60 anos, acertamos o preço, uma mixaria, para nos levar de volta ao Smailovo, que é bem distante. Um senhor simpático, gosta do Brasil, gosta das nossas novelas, bom papo, claro, tudo em russo, mas sem problemas.

Retorno ao hotel, já no fim de tarde, jantamos com o Micha e a esposa Zóia, demos adeus e fomos dormir para embarcar cedinho de volta ao Brasil.

Também aqui, a você MICHA, que nos recebeu carinhosamente e dispensou toda a sua atenção, o nosso mais sinceros agradecimentos. VOCÊ É UM AMIGO IMPAR. Espero retribuir a você e à sua esposa, toda a atenção quando visitares o Brasil.

Moscou amanheceu já com uma temperatura não tão fria, estava fazendo -2ºC as sete da manhã quando saímos do hotel.

Chegamos com bastante antecedência no aeroporto, partimos no horário, a escala em Madrid também foi logo em seguida, não esperamos nem 30 minutos. Chegamos em Cumbica ainda no mesmo dia (fuso horário), às 23:00 hs, reembarcamos para Curitiba.

Caros brasileiros! Imagine o que aconteceu quando aguardava as minhas malas na esteira: Adivinhe! É isso mesmo.

A Gol extraviou uma mala minha.  Olhei para a funcionária, esperei, respirei, e desabafei: NÃO, NÃO PODE. Mas jáem seguida voltei ao normal e vi que estava no Brasil, país que amo, mas que infelizmente tem estas mazelas. VIAJEI TODA A RÚSSIA, fiz várias escalas, atravessei o Atlântico para lá e para cá, atravessei a Sibéria, com horários sendo cumpridos à risca e as minhas bagagens sempre me acompanhando. Coitada da funcionária da Gol, não diferente de outra empresa aérea que operam  por aqui. Me olhou, balançava a cabeça e, junto comigo falou: é, o negócio é aguardar que ela vai aparecer e então levaremos em sua casa em Joinville. Dois dias depois chegou na minha casa.

 

Enfim, em casa. Missão cumprida, sonho realizado e até a próxima viagem.

 

RÚSSIA (Rassía) Umbelo País para ser visitado. Um povo culto, trabalhador, sincero e acolhedor.

Curtam as fotos e filmetes que deixo para vocês neste blog e, me escrevam quando quiserem.

Quando viajares, me contem as novidades e as dicas.

 

Abraços.

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